Consumo de álcool durante a Gravidez e Lactação



Quem não gosta de tomar uma taça de vinho durante o jantar, ou uma cervejinha no happy hour?! Muitas gestantes acreditam que se beber só um pouquinho, não vai ter problemas para o bebê, certo?! Mas a Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP) não concorda.

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De acordo com a SPSP a exposição pré-natal a qualquer tipo e quantidade de bebida alcoólica pode acarretar problemas graves ao bebê, até mesmo surgir tardiamente e ainda se perpetuar na fase adulta. A Síndrome Alcoólica Fetal (SAF) apresenta diversas manifestações, desde alterações comportamentais até malformações congênitas neurológicas, cardíacas e renais. Contabiliza, no mundo, de 1 a 3 casos por 1000 nascidos vivos.

Preocupada com essa questão, a Sociedade de Pediatria de São Paulo levou o pleito de instituição de uma campanha permanente para conscientizar as grávidas.“É fundamental ressaltar que o melhor caminho é realmente a prevenção” completa a Dra. Conceição Aparecida de Mattos Segre, coordenadora do Grupo de prevenção dos efeitos do álcool na gestante, no feto e no recém-nascido da Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP). “Não há qualquer comprovação de uma quantidade segura de bebida alcoólica que proteja a criança de qualquer risco. Neste caso, a gestante ou a mulher que pretende engravidar deve optar por tolerância zero à bebida alcoólica”.

Características

O conjunto de efeitos decorrentes do consumo de álcool, em qualquer dosagem ou período da gravidez, é chamado de “espectro de distúrbios fetais relacionados ao álcool”, que inclui a SAF. A frequência dessas implicações varia conforme etnia, genética e até mesmo a quantidade ingerida. Isso não significa que todos os bebês expostos serão afetados, mas a probabilidade é alta.

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“Bebês com SAF têm alterações bastante características na face, as chamadas dismorfias faciais. Além disso, faz parte do quadro o baixo peso ao nascer devido à restrição de crescimento intrauterino e o comprometimento do sistema nervoso central. Essas são as características básicas para o diagnóstico no período neonatal”, comenta Dra. Conceição.

No decorrer do desenvolvimento infantil, o dismorfismo facial atenua-se, o que dificulta o diagnóstico tardio. Permanece o retardo mental (QI médio varia de 60 a 70), problemas motores, de aprendizagem (principalmente matemática), memória, fala, transtorno do déficit de atenção e hiperatividade, entre outros.

Diagnóstico e tratamento

Nos Estados Unidos e Canadá, existe um teste que identifica produtos do álcool no mecônio ou cabelo do recém-nascido. É uma técnica de alto custo, que ainda não está disponível no Brasil. “Sabemos que o diagnóstico precoce da doença melhora os resultados obtidos por meio de tratamento multidisciplinar ainda na primeira infância. Vale lembrar que os efeitos do álcool ocasionados pela ingestão materna de bebidas alcoólicas durante a gestação não têm cura, por isso vale a máxima, o quanto antes parar, melhor para a gestante e para o bebê”, completa Dra. Conceição.

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Durante a Amamentação

O consumo de bebidas alcoólicas pode prejudicar a amamentação, dependendo de quanto e quando se bebe. Os níveis de álcool no sangue e no leite geralmente ficam alterados por mais de uma hora depois do último drinque, embora esse tempo (assim como o tempo que leva para o álcool se dissipar do sangue) varie de pessoa para pessoa.

Assim como acontece na gravidez, a ciência não tem como estabelecer níveis seguros para a ingestão de álcool das mães que amamentam, mas já sabe que quanto mais se bebe mais tempo leva para o álcool ser eliminado do corpo.

Pesquisas já mostraram que o álcool afeta a fome e o sono dos bebês. Durante as quatro horas apos a lactante toma um copo de vinho ou uma lata de cerveja, por exemplo, seu bebê ingere 23 por cento menos leite materno.

Grande consumo de álcool também pode deixar o bebê mole ou sonolento (porém com sono leve), algo que interfere em sua capacidade de sucção. Nos bebês que sofrem de refluxo, pode aumentar o risco de regurgitação.

 

O que fazer se for beber e amamentar?

Antes de beber é importante calcular para tomar a bebida logo depois de dar de mamar ou durante uma das sonecas mais longas do bebê. Para não correr riscos, é sempre possível tirar o leite materno antes de beber e guardá-lo para dar depois na mamadeira ou copinho. Para auxiliar na retirada do leite materno pode-se usar as bombinhas. As mais indicadas são:

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Espere pelo menos duas horas por drinque consumido (150 ml de vinho ou uma lata de cerveja) antes de amamentar, para dar uma chance de o álcool se diluir. O melhor a fazer é beber bastante água nesse intervalo, para evitar a desidratação, e comer antes ou durante o consumo de uma bebida, assim diminui a quantidade de álcool nosangue e no leite. Vale a pena tambem usar as fitinhas para teste de alcool no leite, para assegurar que o % de alcool no leite materno nao vai prejudicar o seu bebe.

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